25.4.08

Incas, Cidades sobre as nuvens

Um Império com História

Estamos nos Andes. Nesta vasta cordilheira, um tapete de picos que crescem para os céus, que se estende por uns impressionantes 8900 km, formidável muralha que separa uma estreita faixa de costa do resto do continente, tinham vindo a surgir civilizações desde 2500 antes da nossa era.
O aparecimento destas civilizações, que floresciam por toda aquela área, só tinha sido possível devido ao sucesso que uma agricultura rural tivera, naquelas terras perdidas entre os precipícios sem fim e as alturas inalcansáveis. Estas civilizações possuíam uma olaria muito avançada e bela assim como dominavam os trabalhos em ouro e prata. Provavelmente, foi a civilização de Tiwanaku, surgida no que hoje é a Bolívia do Norte, a última antes do incas.

No começo os incas eram apenas uma tribo, como tantas outras pelo Andes. Mas, partindo da área de Cuzco, comandados pelo seu primeiro imperador, o Inca Manco Capac, e seus sucessores, foram-se expandindo, crescendo economicamente e assimilando outras tribos e territórios. Aquando da chegada dos espanhóis o império e tinha uma extensão impressionante e era, certamente, o maior da América pré-Colombiana, com domínios que se estendiam do Equador ao Chile. Mas retrocedamos um pouco no tempo: com a morte de Huayna Capac (que morreu, como viram a morrer muitos incas, com uma doença trazida por uma tribo que havia estado em contacto com os espanhóis) começa uma guerra civil entre 2 irmãos, que ainda não estava resolvida quando chegaram os espanhóis.
Com apenas 180 homens, 27 cavaleiros, 1 canhão e uma diplomacia bestial, Pizarro conseguiu derrotar o exército de 80.000 homens do vencedor da guerra civil. Aprisionando o Inca (que é o monarca) exigiu um resgate que demonstrou as riquezas daquela terra prodigiosa: os incas encheram a sala onde o imperador estava preso com estátuas, moedas e outros objectos de ouro e pagaram também o dobro em prata.
Os incas retiraram-se para as montanhas de Vilcabamba, onde só viriam a ser descobertos e derrotados 36 anos depois.
Pizarro chegou em Julho de 1532. Em 1535, a pesar de os espanhóis ainda irem demorar algumas dezenas de anos a submeter todo o peru e a conquistar o Chile, o império Inca estava perdido.


A bibliografia deste post é:
— Encyclopaedia Britannica Library
— Wikipedia
— www.richgros.com
— www.history.ucla.edu

19.4.08

Exploradores do Norte, antecessores de Colombo


Por volta de 982, o pequeno Erik, seguindo o seu pai que tinha sido expulso por homicídio, abandonou a Noruega e partiu para a Islândia, passando por outras colónias vikings nas Shetland e nas Féroe.
Erik foi expulso, também ele, da Islândia, durante 3 anos. Para onde ir?, deve ter sido a questão que colocou a si próprio. Assim, a única opção que lhe restava era seguir a pista duma terra que um norueguês havia afirmado ter visto, a Oeste. Recrutou uma tripulação e aventurou-se durante 280 km de um oceano repleto de perigos. Descobriu a Gronelândia*. A costa estava gelada, mas depois de passarem o Cabo Farewell, encontraram uma terra desabitada, rica em peixe e pastagens. />
Em 986, Erik voltou à Islândia. Recrutou colonos e zarpou novamente para a Gronelândia. Das 25 embarcações que partiram, só 14 chegaram. Algumas afundaram-se, outras voltaram para trás. A população da ilha foi crescendo, partindo dos 350 colonos em 986, passando para quase 1000, no ano 1000. Depois, a ilha foi lentamente morrendo, por estar demasiado isolada da Noruega, o que a impedia de receber recursos materiais.

Erik teve vários filhos, um dele chamava-se Leif Ericson (em Norueguês, son é filho. Erik tinha também o mesmo tipo de nome: Erik Thorvaldson). Seguindo, mais uma vez, as indicações de um pescador perdido, Leif foi, com 35 homens (o seu pai não pode ir, pois tinha partido uma perna) explorar essa terra. Estes vikings descobriram várias terras antes de Vinland (terra do vinho), mas foi aqui que sedentarizaram. Esta terra tem uma localização incerta, mas calcula-se que seja na extremidade Norte da Terra Nova.
Correm também ideias e teorias de que os vikings desceram pela costa dos E.U.A. até ao Golfo do México. A base destas teorias são os índios nativos descobertos pelos espanhóis, como Astecas e mais a Sul os Incas, terem lendas sobre grandes homens com barba e cabelo loiro, tão diferentes dos da sua raça.
O que é certo é que, se Leif Ericsson e seus homens não foram os primeiros Europeus a pisar o solo americano, foram dos primeiros. Dos primeiros, que antecederam Colombo por quase 500 anos.


*Em Norueguês Gronelândia é Greenland, ou terra verde. Islândia é Iceland, ou terra do gelo. É algo bizarro, reparar que chamaram terra do gelo à mais verdejante, e terra verde à mais fria. Um dos motivos mais óbvios para esta troca de nomes foi o desejo de Erik de atrair colonos, esperando, com este nome mais agradável, convencê-los a zarpar para a terra que ele havia descoberto.


A Bibliografia deste post é:

Britannica Encyclopaedia Library
As Viagens dos Grandes Exploradores
www.wpclipart.com
www.gutenberg.org

25.3.08

Sun Tzu e a Arte da Guerra

No anterior post, “China, berço de impérios”, que tinha ocorrido uma brutal mudança nas tácticas militares. Assim, neste contexto, houve vários estrategas que desenvolveram estratégias e teorias durante este período que iriam mudar totalmente a maneira de fazer a guerra. O mais famoso foi certamente Sun Tzu, que na realidade se chamava Sun Wu (Tzu quer dizer mestre) e foi ele o autor do primeiro tratado sobre a guerra e a arte de a fazer.
“A Arte da Guerra” (o tratado de Sun Tzu) é um guia, com estratégias para os comandantes e teve imensa influência no pensamento militar e económico no Extremo Oriente. Uma frase do livro resume bem o espírito da obra: “Conhecer o inimigo e conhecermo-nos a nós próprios e poderemos combater centenas de batalhas sem risco de derrota".

A bibliografia deste post é:
— Enciclopaedia Briannica Library
— Wikipedia

18.3.08

Taoismo e Confucianismo: religiões, caminhos ou pensamentos?

(este post está inserido no contexto do post "China, berço de impérios")
O Taoismo é também chamado de Daoismo, e esta religião influenciou a vida e a cultura chinesa durante dois milénios. O símbolo de Tao quer dizer caminho, mas a verdade é que lhe são conferidos outros significados mais abstractos. Esta religião teve grande influência em todo o extremo oriente, desde Singapura ao Japão.
Muita gente quer distinguir de forma exagerada o que é o Taoismo e o que é o Confucianismo. Na verdade, as duas religiões, os dois pensamentos misturam-se, tendo aproximadamente as mesmas ideias sobre os homens, a sociedade, o Céu e o universo. Assim encontramos no Taoismo vários espíritos da Natureza e do antigo, o que o torna numa religião politeísta.
Lao-tzu (tzu, tal como em Sun Tzu, um famoso estratega desta época, quer dizer mestre) é visto como o “fundador” do Taoismo. Este personagem desempenhava a função de arquivista na corte de Chu. Com o declínio desta dinastia, Lao-tzu foi para Oeste. Na fronteira, um guarda pediu-lhe que escrevesse o seu tratado no Tao (ou seja, no caminho) para Oeste. E assim, antes de desaparecer, Lao-tzu deixou-nos, em dois pergaminhos, u
m tratado repleto de bons ensinamentos e que, acima de tudo, não impõe regras.
O Confucianismo foi, tal como o Taoismo, mais que uma religião, foi uma maneira de viver e um código de valores, surgido entre o século VI e V a.C. O Confucianismo foi sendo espalhado, numa primeira fase, por Confúcio, e a sua influência não se limitou à área da China Oriental, tendo essencialmente crentes no Japão, na Coreia e no Vietname.
Apesar disso, Confúcio não foi o fundador do Confucianismo: ele apenas espalhou esta religião e consciencializou as pessoas dos velhos valores e ideais. Este filósofo adorava o passado, o antigo e fez várias viagens e meditações para tentar compreender como haviam sobrevivido certas ideias e rituais durante séculos. Após um período de grande influência, o Confucianismo foi oprimido mas sobreviveu, influenciando o Extremo Oriente, durante quase dois milénios.


A bibliografia deste post é:
— Encilopaedia Britannicac Library
— Wikipedia

E para as imagens:
—www.theadvocates.org
— zionistwatch.files.wordpress.com

O exército de terracota

(ver também post anterior)
O exército de terracota é apenas uma parte do túmulo de Shihuangdi. É um autêntico exército, com soldados de infantaria e cavalaria. Foram já encontradas três covas no túmulo com os soldados e numa outra foram descobertos acrobatas.
Na primeira cova vemos os guerreiros dispostos em posição de combate. Na formação há 38 esquadrões de soldados e guardas em todos os lados. No centro de cada esquadrão foi ainda encontrado um carro de batalha. O que é mais fascinante ainda é admirar os soldados: cada soldado tem um rosto e armas próprias, únicas, o que mostra toda a perfeição com que foi construído o túmulo.
Dentro da segunda cova encontramos quatro unidades, das quais três contém carros, que ocupam a esmagadora maioria da área. Apesar de descobrirmos um grande número de soldados de infantaria na primeira cova, ficamos com esta segunda a saber que apesar de haver mais peões que carros, os carros eram a principal força dos Qin.
No interior da terceira cova encontramos poucos soldados, armados com armas de bambu, que seriam a guardas de honra. No total das covas encontramos mais de oito mil figuras perfeitas de terracota.
Foram descobertos carros pintados (com os seus cavalos), todos feitos de bronze. Estes carros transportaram e escoltaram o espírito do imperador Shihuangdi no outro mundo. São as maiores peças bronze descobertas no mundo, mostrando, juntamente com o exército, a importância que este rei teve para a China e toda a riqueza e poder que possuía.

A bibliografia deste post é:
— Enciclopaedia Britannica Library
— Wikipedia

17.3.08

China, berço de impérios

O Império Qin

Estamos na China, século XIII antes de Cristo. Ao longo do Vale do Rio Amarelo (ou Hoão-Ho) tinham-se vindo a desenvolver, já desde o Neolítico, civilizações tecnologicamente avançadas. Após sucessivas dinastias, acossadas constantemente pelas tribos bárbaras vindas das estepes, surgem os Zhou. Mais uma vez este reino fragmentou-se, dando assim origem a variados principados (chamados de hegemónicos): o Qin, o Chu, o Qi, o Yan e o Jin (que mais tarde se fragmenta uma outra vez, dando origem ao Han, Wei e Zhao).

O Estado de Qin

Segundo os antigos registos, o principado de Qin, não tem um papel de relevo até Mugong (reinou entre 629 e 621 a.C.), que fez deste principado o principal poder da parte Oeste da China. Com poder, Qin tentou obter territórios na área central da China, ao longo do Hoão-Ho, mas por várias vezes foi bloqueado por Jin, cujos territórios o impediam de aceder a essa área. No entanto, Qin continuou a conquistar e incorporar na sua sociedade os estados e tribos de origem não-chinesa, ao longo do desvio em semi-círculo para Norte que o Hoão-Ho descrevia. Assim, os grandes e poderosos estados Chu e Jin foram obrigados a dar o estatuto de governante a Qin, (governante da sua própria zona). As províncias de Este continuavam a olhar para Qin como um estado bárbaro, que dominava numa zona distante.

Luta pelo poder

No século V antes da nossa era, dominavam dois grandes poderes na China: Qi, um estado próspero com um novo governante e Wei (um dos sucessores de Jin). Qin ficou com um papel secundário na trama, até às grandes reformas de Xiaogong e Shang Yang, que o iriam transformar na mais poderosa das potências. Este último era um burocrata da corte de Wei que, frustrado, havia ido para Oeste em busca de uma hipótese de expandir as suas ideias. Em Qin havia encontrado Xiaogong (o governante deste principado) e com ele a sua oportunidade: criou o estado mais bem organizado do seu tempo.

Após várias reformas que contribuíram para o aumento do poderio económico e militar de Qin, Shang Yang tomou outra medida, que provavelmente influenciou drasticamente a situação que viria a surgir nos anos seguintes. Ele encorajou a produção, especialmente no sector da agricultura. Os agricultores foram incentivados a trabalharem a terra e várias reservas foram abertas para que eles pudessem cultivá-las. Mas nesta reforma foram também recrutados trabalhadores dos estados vizinhos (Han, Zhao e Wei), o que aumentou a produção em Qin e esses estados perderam muitas mãos, que tanto poderiam pegar em martelos, arados e foices, como em espadas e lanças.


Qin foi crescendo até que, em 352 antes da nossa era, exigiu o título de reino. Isto foi um desafio para Qi e para Wei. Aqui notamos uma grande diferença, que vai existir durante todo este período: estes estados eram ducados do rei da dinastia Zhou; agora, nesta nova época, eram reinos, sendo iguais ao reino de Zhou. Utilizando uma estratégia astuta, na qual dividia os seus inimigos, para que estes não pudessem unir-se e tornarem-se demasiado fortes, Qin dominou e unificou a China. Utilizando espionagem, mentiras, assassinatos, sabotagem e outros métodos de natureza idêntica, este reino submeteu sobre o seu poder os estados que, sucessivamente, lhe fizeram frente. Quando a China estava finalmente unida, o seu primeiro rei construiu uma vasta rede de estradas, que facilitava a comunicação entre os vários pontos do império. Centenas de milhares de trabalhadores reforçaram e uniram as muralhas já existentes ao longo da fronteira Norte/Noroeste. Este rei chamava-se Shihuangdi e tinha medo da morte. Ele fez tudo o que conseguiu para ser imortal. Ao escavarem o seu túmulo, em Xi’an, foram revelados mais de 6000 estátuas de soldados de terracota em tamanho real: chamaram ao seu túmulo Exército de Terracota. Com a morte de Shihuangdi toda a dinastia caiu, perante a pressão dos bárbaros e revoltas campestres, surgidas no próprio seio da China.

Este período, chamado Período dos Estados Combatentes, mostra a importância do ferro na China, que substituiu o bronze, antes utilizado na guerra, menos resistente que o primeiro. Algumas áreas foram integradas na esfera da cultura chinesa, alargando os horizontes dos povos da China e dos territórios englobados. Algumas ideias filosóficas, como o Confucianismo, o Taoismo, o Mohismo e o Legalismo, desenvolveram-se em centenas de escolas e expandiram-se de forma surpreendente. O comércio adquiriu um novo aspecto e as tácticas militares foram alteradas de forma radical. Foi uma época de mudança, de grande desenvolvimento económico, mas tudo isso acabou por desaparecer, deixando apenas ruínas e recordações, destruído pelos próprios chineses e pelos bárbaros vindo da estepe.

A bibliografia deste post é:
— Enciclopaedia Britanniac Library
— Wikipedia
— www.minhachina.com

4.3.08

Supermarine Spitfire, Demónio nos Céus

O Supermarine Spitfire foi um caça inglês, com apenas um lugar, utilizado não só pela Grã-Bretanha e seus aliados mas também por muitos outros países. Este avião encontra-se, certamente, entre os melhores de todos os que foram utilizados na 2ª Guerra Mundial e é o mais conhecido avião inglês da Batalha de Inglaterra, superando o Hurricane. Apesar de o Hurricane ter armas muito idênticas ao Spitfire, a sua velocidade e a altitude máxima que conseguia atingir eram muito inferiores aos limites do Supermarine Spitfire, tornando-se o primeiro, por isso, muito mais vulnerável aos caças alemães.
No começo da Batalha de Inglaterra, o único caça alemão com características (velocidade, dimensões, manobrabilidade,...) idênticas ao Spitfire era o Messerschimtt Bf 109. Várias vantagens ajudaram o caça inglês a derrotar por muitas vezes o avião alemão.
Quando o Focke-Wulf 190 se encontrou pela primeira vez com o Supermarine Spitfire VB foi mais que evidente que o caça alemão era muito superior ao inglês, pois a sua velocidade era 25 milhas por hora superior, em todas as altitudes. Também nas descidas e subidas o avião alemão era melhor. No entanto, apesar de na manobrabilidade o caça alemão ser superior em vários aspectos, o Spitfire era melhor a descrever círculos. Mesmo assim, os caças ingleses não conseguiam acompanhar as impressionantes manobras dos alemães e eram forçados a desistir do ataque.
Apesar de, em algumas situações, o Spitfire levar a melhor, especialmente quando beneficiava do efeito surpresa ou tinha hipótese de descrever um círculo, virar e atacar velozmente o avião alemão, foi necessário desenvolver um novo aparelho, para combater esta crise.
Após sucessivas versões do Spitfire, chegou ao campo de batalha o Spitfire XII
. Este avião, especialista em batalhas em altitudes médias e baixas, causou grandes problemas ao Focke-Wulf alemão. Certa vez, os bombardeiros alemães tentaram atacar a Inglaterra a partir de grandes altitudes. Nesse dia, surgiu uma esquadrilha de Spitfires IX que atacou os alemães. Estes foram obrigados a recuar e a partir daí atacaram por altitudes mais baixas, onde estavam os modelos mais recentes dos Spitfires prontos para “caçar”...

A bibliografia deste post é:
www.odyssey.dircon.co.uk
— http://en.wikipedia.org/
www.rb-29.net
— http://www.spitfiresociety.demon.co.uk/
Para as imagens, foi ainda utilizado:
— www.genesoucy.com